
Areia, água, vento, uma dose de rum
Com gelo, coca, uma rodela de limão
E o pensamento ativado, vencendo espaços,
O tempo, permitindo a evasão das dores,
Dos amores que se foram, das recordações!
Quero gritar mais alto que o estampido
Do mais horrendo trovão para que os
Anjos de Deus me ouçam, saiam do marasmo:
Que façam guerra de morte aos anseios de Leviatã,
Príncipe dos predadores do planeta Terra!
Dói em nós, humanos do bem, a agonia
Das reses nos holocaustos dos matadouros;
A apreensão e prisão de animais, que outrora,
Livres corriam e pulavam ou nadavam
Nos campos, nas árvores e nos igarapés...
Matas, serras, relvas, vales e planícies...
Só os vejo originais nas telas de Michaud,
O que d’antes fora a Mata Atlântica!
E nas telas de Lili, João Fona ou
Laurimar Leal , a Coroa de Areia...
Como dizia o velho poeta:
- É o império do mal na Terra!
Na mente ainda ressoa o canto monótono
Da juruti, do paraíso que nossos avós,
Com carinho, chamavam, Mapiri!
E assim o homem dá cabo das levezas
Que dão graça ao mundo.
Só me contento ao dizer maravilhado,
Bem do fundo da alma:
- Ainda temos Alter-do-Chão!
Alter-do-Chão, o chão que beijou os pés de Deus.
O jardim do Éden onde tudo aconteceu.
Hoje, muito tempo depois, malgrado a algidez
Dos corações, a poesia ressurge nas maresias
Do rio azul e dos verdes lagos.
Caminha de mãos-dadas com os romeiros
Das procissões do Sairé.
Poesia que o poeta cria ao mergulhar
No imaginário dos ribeirinhos-boraris;
Ao ver um panorama encantado,
Belo como uma fábula de La Fontaine
Ou um romance de Shakespeare...
Sentado sobre a úmida areia e os
Olhos perdidos nos azuis do horizonte,
Onde o Tapajós se une ao céu
Fonte inconteste das minhas inspirações,
Reflito a vida e concordo em achar
Que deve ser vivida até o seu extremo.
No justo limite onde se inicia
O Mistério de Deus!
Que por ser homem do bem
E valorizar o dom da vida,
Valeu a pena, sim, toda a vida vivida!
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